
O medo que nos move
Uma mulher nasce das suas próprias reflexões sobre seu medo dos homens. Medo de ser apenas um corpo com dentes brancos, seios e útero. Sonha ser respeitada. Sonha plantar roseiras e sorrir livre, como uma árvore que liga céu e terra. Começa sua trajetória e muda de pele como quem muda de roupa, e chega ao final desnuda de sonhos, mas plena de força para lutar por sua dignidade.
Direção e concepção dramatúrgica: Rita Gusmão
Concepção e atuação: Vitória Cunha
Dramaturgia coletiva:
Textos originalmente criados com a Cia. Insanacena, na primeira montagem, em Lisboa, em 2021.
Criação e execução de luz: Geraldo Octaviano, Júlia Telles e Joana D'arc
Trilha sonora: Leonor Cabrita
Paisagens sonoras: Rita Gusmão e colaboradores
Cenografia: Waldomiro Francisco
Figurino: Roberta Lapertosa e Silma Dornas
Fotografia: Marcelo Pimenta
Vídeo: Gilberto Goulart
Apoio logístico: Crdança BH

O medo que nos move, em sua versão de monólogo, reúne duas artistas da cena interessadas em desenvolver o pensamento e a sensibilidade em relação à experiência de ser mulher, suas angústias, suas percepções sobre o mundo atual e seu olhar sobre os homens.
O projeto teve início com o estudo de textos escritos por mulheres de várias nacionalidades. A pesquisa sobre o que causa medo às mulheres foi realizada pela atriz, cantora e dançarina Vitória Cunha entre 2019 e 2020, no coletivo artístico luso-brasileiro Insanacena. A partir da leitura dos textos e de conversas sobre as motivações e as cenas elaboradas no coletivo, Rita Gusmão e Vitória desenvolveram uma nova versão do trabalho. Rita atua como atriz, diretora e professora de artes da cena; Vitória, como artista da cena e docente em práticas corporais.
A primeira questão do processo criativo foi compreender o papel do corpo naquelas reflexões. Os textos descrevem corpos em diversas situações e narram experiências e sensações físicas. Relatam pensamentos que atravessam as mulheres em circunstâncias de medo. Quando lidas e decifradas, as palavras estimulam movimentos. Cada história traz em si um caleidoscópio de movimentos que está subjacente aos seus significados: corpo, medo, olhar, desconforto, mãos, matar, asco, peitos, bomba, amor, ir para o centro da Terra. A partir de ensaios para exprimir essas sensações e elaborar gestos, começou uma colagem de sons e palavras, que vem sendo reelaborada a cada repetição.
Em O medo que nos move, o corpo constitui a primeira camada de contato com o público. A proposta cria um espaço de experimentação sensorial compartilhado com as artistas. Na cena, os vazios são explorados e os rastros integram o discurso visual. Corpo e objetos compõem diferentes camadas de significado por meio de suas texturas e de seus movimentos coreográficos.
O projeto traz à tona sentimentos presentes nas narrativas culturais e convida o público a revisitar e recompor memórias. Nesta cena híbrida, corpo, voz e objetos desenham um mapa sensorial. O espetáculo pode ser apresentado em diversos locais, desde que o público permaneça próximo da área de cena, em contato com as respirações, os sons, o suor, os cheiros e as delicadezas de cada elemento cênico. A iluminação difusa, com poucas cores, compõe um espaço de luz e sombras.
O espetáculo estreou em Belo Horizonte em 2023. Em 2024, foi aprovado em edital municipal, com execução ao longo de 2025, incluindo participação no Festival de Teatro de Itabirito (MG) e temporada na Funarte BH. A oficina associada pode ser contratada separadamente ou em conjunto com o monólogo.
O medo que nos move é o trabalho prioritário de Vitória Cunha para novas contratações.


















