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poesia contemporânea


Escombros
Braços, pernas, bochechas. Pedaços, metades cortadas ao meio Dedos, costas, rosto e resto, Nudez pálida, plácida Frio e arrepio, na aspereza do escuro, rigidez, esquecimento Frestas e arestas incertas; sobras e lágrimas escassas na sequidão do recomeço. Refazendo Re significa re estrutura re planta re faz-se re constrói vida matriz raiz re memora não demora a vida passa lá fora Duo de um Você e eu, nós Nós de costura, tecido e pintura Linha em laço, papel, tinta e brochu
Vitoria Regina Cunha
há 17 horas1 min de leitura


Andarilha dos sonhos
Sozinha na rua Desejo Sozinha na noite Almejo Na rua sozinha não pode Na noite sozinha não vá Sozinha na rua Nem pense Na esquina, no beco Tem medo Não olhe, não corra, não fale Nao olhe nao corra, nao fale Na noite sozinha faça silêncio Cale o suspiro Aceite Engula seu medo não chore Sozinha na rua Quem disse que pode? Quem disse que sim? Na noite sozinha Tem cheiro de que? Tem medo porque? Segredo Sozinha Na rua Contemplando nuvens Canto, conto um ponto,um gesto canto, cont
Vitoria Regina Cunha
há 18 horas1 min de leitura


Sobre o Chão
Caio Levanto Caio de novo aproveito o contorno da queda Solto o peso Experimento outra vez degusto o gesto, o macio do corpo no piso duro Converso com ele Trocamos esforços dançantes amalgamamos nos Continuo caindo levanto caio de novo afundo, fundindo me Eu e o chão Uma dança dois em um sobre o chão um do outro poesia: Vitória Cunha imagem: colagem-digital por Thiago José
Vitoria Regina Cunha
há 18 horas1 min de leitura


Essencia
Perscruto Adentro Vasculho Encaro com olho de dentro, o fora Escancaro Enxergo Reconheço Rasgo a pele, rasgo a fáscia, rasgo o músculo Dentro, vou até o osso. Investigo cada fio, trama e fibra. Encontro porosidades, pausas, espaço e silêncio. Aguardo, não muito Devagar, mas nem tanto Encontro me com ela, reverencio e agradeço. Vou fechando as feridas Resoluta, volto, piso o frio chão de fora, Aqueço com o calor de dentro. Troco forças, distribuo. Faço parte e me integro, Ent
Vitoria Regina Cunha
há 18 horas1 min de leitura


Depois
A luz apagou sozinha Era escuro Era oculto Nada se via Nem mesmo as paredes incertas Nas janelas indiscretas Olhei ousadamente Me vi por dentro O escuro revelador O infinito particular de mim Antes de atravessar Romper a sombra Saltei Procurei um chão pra pisar Nada seguro Nada concreto Só vida pra habitar Depois? Não. Agora mesmo poesia: Vitória Cunha imagem: colagem-digital por Thiago José
Vitoria Regina Cunha
há 18 horas1 min de leitura


Ruído
Ruído O carro grita O cão ladra ansioso Mas há o canto dos pássaros Ruindo Tudo insiste A vida ressoa em outro tom Desses que esquecem a alma Ruindo Tudo resiste Errantes na loucura da cidade, Humanos buscam refúgio nas árvores Ainda há o canto dos pássaros Ruindo Todos assistem Os pássaros se aninham em postes Cantam empoleirados nos fios Os cães loucos desvairados Ladram na madrugada respondendo ao que não sabem A cidade grita aterrada em ansiedades B
Vitoria Regina Cunha
há 22 horas1 min de leitura
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