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poesia contemporânea


O vento e as ternuras espalhadas
02/10/2025 Mil anos que não foram; sinto o peso deles. Apenas dezessete mil(dias), uma metáfora. Eles, presente, aqui, agora, te vejo. Mil anos já tinham sido antes de você; caleidoscópio Te conhecia sem te saber; miragem. Te ter é não te conhecer nem um pouco; poeira. Mil anos não valem nada; um dia é nada Olhos embaçados, nublados, turvam a mente. Os ciclos embolados, emaranhados no amanhã que nem chegou. Entendimentos traídos em pensamentos belicosos beliscando os pensame
Vitoria Regina Cunha
14 de ago.1 min de leitura


Presente
abril de 2024 Dádiva do instante que já acabou. O futuro? Fica dançando no tempo Até ser presente de novo. Antecipar é inventar Um tempo inexistente.
Vitoria Regina Cunha
11 de ago.1 min de leitura


A Fuga
abril de 2024 Viajou sem palavras Guardou os sentimentos Afagou as mágoas Silenciou ilusões Inventou motivos de ir Se apegou em passados De longe fingiu normalidade Puniu com jogos de amor Não encontrou o que buscava Entorpeceu-se de sonhos Voltou ainda sonhando Quando acordou Xingou a realidade Por ser pesada demais.
Vitoria Regina Cunha
11 de ago.1 min de leitura


Nascente
Se o ventre me desse uma flor Um conselho eu daria: Não seja perfeita, não seja direita Apenas guarde um suspiro E um cheiro para cada manhã De sol em pétalas. 2023
Vitoria Regina Cunha
11 de ago.1 min de leitura


Quase
2019 Quase a meio caminho Quase meio dos cem Quase sem saber Caminho Quase partida ao meio Quase inteira de metades Quase antes Quase depois Caminhante Quase recheada de meios Quase aqui e alí Meias rugas Meias idéias Meias Pés Chão Manchas no tempo até ao meio Minho Do início até aqui Do ventre Meio do corpo Inteiro Aprendiz
Vitoria Regina Cunha
7 de ago.1 min de leitura


Escombros
Lisboa - 2020 Braços, pernas, bochechas. Pedaços, metades cortadas ao meio Dedos, costas, rosto e resto, Nudez pálida, plácida Frio e arrepio, na aspereza do escuro, rigidez, esquecimento Frestas e arestas incertas; sobras e lágrimas escassas na sequidão do recomeço. Refazendo Re significa re estrutura re planta re faz-se re constrói vida matriz raiz re memora não demora a vida passa lá fora Duo de um Você e eu, nós Nós de costura, tecido e pintura Linha em laço, papel, t
Vitoria Regina Cunha
3 de ago.1 min de leitura


Andarilha dos sonhos
Lisboa - 2020 Sozinha na rua Desejo Sozinha na noite Almejo Na rua sozinha não pode Na noite sozinha não vá Sozinha na rua Nem pense Na esquina, no beco Tem medo Não olhe, não corra, não fale Nao olhe nao corra, nao fale Na noite sozinha faça silêncio Cale o suspiro Aceite Engula seu medo não chore Sozinha na rua Quem disse que pode? Quem disse que sim? Na noite sozinha Tem cheiro de que? Tem medo porque? Segredo Sozinha Na rua Contemplando nuvens Canto, conto um ponto,um ges
Vitoria Regina Cunha
3 de ago.1 min de leitura


Sobre o Chão
Lisboa - 2020 Caio Levanto Caio de novo aproveito o contorno da queda Solto o peso Experimento outra vez degusto o gesto, o macio do corpo no piso duro Converso com ele Trocamos esforços dançantes amalgamamos nos Continuo caindo levanto caio de novo afundo, fundindo me Eu e o chão Uma dança dois em um sobre o chão um do outro
Vitoria Regina Cunha
3 de ago.1 min de leitura


Essencia
Lisboa - 2020 Perscruto Adentro Vasculho Encaro com olho de dentro, o fora Escancaro Enxergo Reconheço Rasgo a pele, rasgo a fáscia, rasgo o músculo Dentro, vou até o osso. Investigo cada fio, trama e fibra. Encontro porosidades, pausas, espaço e silêncio. Aguardo, não muito Devagar, mas nem tanto Encontro me com ela, reverencio e agradeço. Vou fechando as feridas Resoluta, volto, piso o frio chão de fora, Aqueço com o calor de dentro. Troco forças, distribuo. Faço parte e m
Vitoria Regina Cunha
3 de ago.1 min de leitura


Depois
A luz apagou sozinha Era escuro Era oculto Nada se via Nem mesmo as paredes incertas Nas janelas indiscretas Olhei ousadamente Me vi por dentro O escuro revelador O infinito particular de mim Antes de atravessar Romper a sombra Saltei Procurei um chão pra pisar Nada seguro Nada concreto Só vida pra habitar Depois? Não. Agora mesmo
Vitoria Regina Cunha
3 de ago.1 min de leitura


Ruído
Ruído O carro grita O cão ladra ansioso Mas há o canto dos pássaros Ruindo Tudo insiste A vida ressoa em outro tom Desses que esquecem a alma Ruindo Tudo resiste Errantes na loucura da cidade, Humanos buscam refúgio nas árvores Ainda há o canto dos pássaros Ruindo Todos assistem Os pássaros se aninham em postes Cantam empoleirados nos fios Os cães loucos desvairados Ladram na madrugada respondendo ao que não sabem A cidade grita aterrada em ansiedades B
Vitoria Regina Cunha
3 de ago.1 min de leitura
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